A Obra

Cira, linda guerreira e bruxa, descende da antiga linhagem das sereias. Sobre o ombro esquerdo, carrega o feroz crânio de seu pai, Cobra Norato. No seu coração, traz o desejo de vingança contra o sertanista Domingos Jorge Velho, assassino de sua mãe.
Na colorida paisagem de um surpreendente Brasil Colônia, Cira encontra criaturas fantásticas como os reis animais, o guardião dos pés virados, os mboitatás e a irmã de seu pai, a terrível Maria Caninana. Mas a maior batalha de Cira terá como cenário o grande Quilombo dos Palmares, quando enfrentará, finalmente, o seu grande inimigo: o Velho.
Cira e o Velho, inspirado no Brasil do século XVII, é uma aventura cheia de ação, humor e surpresas, que mostra a história e o folclore brasileiros como você nunca viu!

(Capa amarela)

     (Capa vermelha)

Esse trabalho começou exatamente há dez anos, logo depois que recebi o primeiro relatório de vendas de “Curtan”, minha primeira tentativa de lançar uma história em quadrinhos. Fiquei tão decepcionado com o resultado que resolvi refazer todo o trabalho. Tenho que admitir, afinal de contas, que “Curtan” tinha mais defeitos do que qualidades. Comecei redesenhando a personagem. Foi assim que acabei chegando a uma imagem remotamente parecida com Cira. Não sei bem em que momento coloquei a caveira sobre o ombro esquerdo da personagem, porém me lembro de ter planejado que o crânio, ao abrir a boca, funcionasse como uma metralhadora. Era um troço bacana, mas, convenhamos, ridículo.
O nome definitivo e a ambientação em um universo inspirado no Brasil do século XVII se deram, mais ou menos, em 2005. Nesse momento, eu ainda pretendia fazer uma história em quadrinhos. Cheguei mesmo a rascunhar a primeira versão da história. Quase 200 páginas de quadrinhos.
O mais difícil, a partir de então, foi decidir qual linguagem visual utilizar. Um desenho realista ou estilizado? Cartunesco ou agressivo? Limpo ou detalhado? Páginas e páginas finalizadas depois, cheguei a uma conclusão que já deveria ter visualizado uns dois anos antes: por que diabos estou fazendo uma história em quadrinhos?!
Não me entendam mal. Sou fanático por quadrinhos. Mas temos que admitir que há limitações nessa forma de arte. Uma delas é física. Afinal, para explorar algumas das possibilidades que a história de Cira estava apresentando, eu precisaria de um volume indecente de páginas.
Em 2007, comecei a escrever a história em prosa.
Terminei o trabalho no meio de 2009. Seria enfadonho descrever as dificuldades que se apresentaram ou que criei nesse processo.
A segunda metade de 2009 foi utilizada para enviar o manuscrito a diversas editoras. Se você tem alguma noção das dificuldades que enfrentam novos autores no Brasil, já deve ter imaginado que ninguém se interessou. Provavelmente, ninguém sequer leu.
A única editora a responder de uma forma promissora foi a Giz Editorial, que enviou uma proposta de publicação independente. Eu já sabia, desde o início, que esse seria o caminho, mas não queria trabalhar com essas editoras que entregam o livro impresso na casa do autor, colocam um link de venda perdido na internet e você acaba vendendo seus livros de mão em mão na frente de um cinema alternativo. A Giz tinha uma proposta bem mais concreta, sinalizando, inclusive, com distribuição em livrarias de renome. Além disso, eles têm experiência com literatura de fantasia… se é que “Cira e o Velho” se encaixa exatamente no termo.
Minha esposa cuidou da revisão. Na verdade, seria mais justo dizer que ela padeceu com a tarefa, pois leu mais vezes do que seria sensato. Eu tenho uma terrível tendência a revisitar um trabalho incontáveis vezes, até me convencer de que estou satisfeito. Aprendi a fazer isso com o fiasco de “Curtan”.
Alguns amigos também sofreram como cobaias. Em especial, Álvaro Maestri, diretor de criação da Jimenez Associados. Também da Jimenez, Daniela Cavalcanti, Deise Aneli, Patrícia Cassanello, Hipólito Paixão e Eduardo Florentino deram suas valiosas opiniões sobre o livro. Marcelo Toledo, grande amigo dos tempos de Senai e meu padrinho de casamento – aliás, também sou padrinho dele, vejam só! – também leu “Cira e o Velho” e deu opiniões muito importantes. A todos eles, meus agradecimentos. (Se você ler “Cira e o Velho” e não gostar, pode culpá-los também!)

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